Texto por Rose Dayanne Santana
Fotografia por Tati leal

“Tombei, tombei, tornei tomba, a brincadeira já vai começar. O raio, o sol suspende a lua, olha o palhaço no meio da rua”. Em coro, palhaças e palhaços, artistas circenses e populares, de todas as cores, idades, risos e traços tomaram as ruas do distrito ecoturístico de Taquaruçu, no alto da serra da capital mais quente desse país, Palmas, e deram o recado – “Hoje tem espetáculo? Tem sim senhor, Tem sim senhora…”

A “Palhaceata” chamou a atenção dos moradores e visitantes do Distrito, curiosos e receptivos, que das suas portas e esquinas acenavam, tiravam fotos, selfie com os artistas, e aguardavam ansiosamente a “Noite dos Palhaços” do 3º Festival de Circo de Taquaruçu, principal evento circense da região Norte do Brasil, que reúne nesta edição cerca de 100 artistas – que não são só de circo – de todas as regiões do país e também da América Latina.

“Vou só lá em casa pegar os meninos e levar pra Praça daqui a pouco”, contou a Núbia, que assim como muitas pessoas que se viu pelas ruas durante a “Palhaceata”, ocuparam o anfiteatro da Praça Joaquim Maracaípe, numa quinta-feira (26) convidativa, para a “Noite dos Palhaços”.
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O Festival já estava no terceiro dia, recheado de uma programação incrível e gratuita. Com o feriado de Corpus Christi muitas famílias aproveitaram para subir a serra e vivenciar o fantástico mundo circense. Estava lotado. E o “respeitável público” se acomodou como pôde para receber os Sacerdotes do Riso “Hotxuás”, da etnia Krahô, e as mais de dez companhias circenses que se apresentaram no picadeiro da praça.

Pela primeira vez em Taquaruçu, os palhaços sagrados do povo Krahô arrancaram risos da plateia e despertaram curiosidades. “É diferente e legal”… “Estava curiosa para ver os índios palhaços”… “Eles não falam na apresentação, né” … comentavam da plateia, principalmente as crianças.

Os Hotxuás têm uma função social para os indígenas, pois representam um elemento de equilíbrio. Em situações cotidianas, eles brincam com as possibilidades, oferecem outros ângulos, sempre buscando e propagando o riso. Os Hotxuás são muito respeitados e a missão do riso é passada de geração a geração, ao nascer uma criança Krahô recebe o nome de um Hotxuá e dará continuidade à tradição.

As emoções da “Noite dos Palhaços” não pararam por ai. A cada número, brincadeira, interação, risos e mais risos, a sensação que se tinha era de que podia rir ainda mais e mais. Muitas companhias se apresentaram na grande noite, uma delas foi a Cia Carroça de Mamulengos do Ceará, uma família circense que percorre o país há mais de 30 anos, levando arte e alegria por onde passa. E pequena palhacinha Quinquinha, com seus dois ou três anos, numa atuação com sua mãe Maria, arrancou muitos suspiros e risos.

Destaque também para os palhaços Catitu e Catrinha. Com espetáculo realizado e concebido por eles, Artur Carneiro e Thaina Luz são alunos do projeto Circo Social Os Kaco, sediado em Taquaruçu. Desde 2013, o projeto promove atividades de formação para crianças e adolescentes, com diversos cursos gratuitos de técnica circense, capoeira, agroecologia, entre outros.

Cada palhaço, cena, brincadeira, acrobacia, jeito, trejeito, som, cor, ornamento, despertava emoções, sensações, e risos soltos. “A arte circense tem cor, luz, brilho, energia. E faz a vida mais feliz”, destacou a professora Sádia Soares. A alegria abraça, transborda e contagia. Não é por acaso que a plateia levou para casa o gostinho de quero mais. E tem mais? Tem sim senhor… Até o dia 29, ainda vai ter muito palhaço no meio das ruas de Taquaruçu, além de espetáculos circenses das mais variadas modalidades, oficinas, exposições, shows, vivências e riso…

Acompanhar a tarde e a noite dedicada aos palhaços é ter a chance de mergulhar um pouco do mundo mágico da arte circense; é rir até doer o canto da boca; é tentar entrevistar um palhaço e não parar de rir, pois ele não está sendo entrevistado, é você que acaba de fazer parte de um número ou de uma brincadeira dele. É segurar seu amigo que não se segura em cima da perna de pau; é conversar com o senhorzinho de quase 70 anos, que não respondeu sua pergunta, mas contou um monte de histórias pra você. É ver uma menininha de talvez dois ou três anos fazer seu número direitinho como lhe ensinou a mãe da filha. E assim, só me resta dizer que neste feriado de Corpus Christi meu norte foi o circo e vida longa ao Festival de Circo de Taquaruçu.

O Festival de Circo de Taquaruçu tem o patrocínio da Energisa, Investco e o apoio do Sesc Tocantins, Prefeitura de Palmas, Sebrae Tocantins, Senac Tocantins e Ponto de Cultura Canto das Artes.

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